Global Players

Diversos são os trabalhos que investigam a globalização financeira e, dentre estes a importância crescente da associação do circuito financeiro ao circuito imobiliário, ou seja, a constituição do que se cunhou como “complexo imobiliário-financeiro” (Aalbers, 2014). Este processo está inscrito naquilo que Harvey considera como a era da hegemonia das finanças, do capital fictício e do domínio crescente da extração de renda sobre o capital produtivo (Harvey, 2014).

No Brasil e no mundo se assistiu a uma veloz reestruturação do Estado e das formas de regulação dos mercados, envolvendo a criação e o aperfeiçoamento de vários instrumentos urbanísticos e financeiros, voltados para aproximar e ampliar as conexões entre capital financeiro e capital imobiliário, conquistando territórios em cidades sob governos de “esquerda” e impondo sua lógica sobre o destino dos lugares, ao submeterem as definições das formas de uso e características de ocupação às necessidades de rentabilidade desses ativos (Rolnik, 2015).

Esta interdependência entre o setor imobiliário, as finanças e o Estado tem sido articulada em um complexo imobiliário financeiro que se espalha por diversas frentes de expansão imobiliárias pelo mundo. Em diversas regiões já pesquisadas pela literatura urbana internacional, essa interdependência ocorre através da ação dos chamados “global players”: fundos de investimento e empresas imobiliárias transnacionais adentram em mercados financeiros, como forma de diversificar ativos e mitigar riscos, mas também para penetrar em localizações geográficas onde não têm presença, capilarizando-se territorialmente e submetendo a produção das cidades a sua lógica financeirizada.

Esta pesquisa pretende investigar se estes “global players” estão adentrando os mercados imobiliários em São Paulo, como se dá a entrada desses capitais e como eles dão forma a espaços urbanos, considerando a possibilidade deles integrarem velhas e novas frentes de expansão do mercado imobiliário, bem como desenharem morfologias, tipologias e usos que permitam as rentabilidades esperadas. Ainda, pretende-se aferir os efeitos sociais da produção destes espaços, com suas lógicas rentáveis, se eles contribuem para os processos de gentrificação e reforçam as lógicas de remoção forçada de população vulnerável.

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