Pesquisa levanta condições de segurança no transporte de estudantes universitários

910077-metro_mulheres_vagao _25

Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O LabCidade, laboratório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAUUSP), está participando da pesquisa Levantamento internacional sobre ser vítima de crimes, abusos ou assédio em viagens na cidade e a sensação de segurança entre estudantes universitárias(os): foco na segurança das mulheres na mobilidade urbana.

O levantamento, que está sendo realizado com estudantes universitários de 13 países, em seis continentes diferentes (Europa, América do Norte, América Latina, Ásia, África e Austrália), deverá revelar as especificidades da segurança na mobilidade de estudantes em cada um dos espaços analisados, inclusive com um recorte de gênero, e os principais desafios a serem enfrentados.

A pesquisa consiste na aplicação de um questionário com 50 questões sobre a segurança, a serem respondidas por estudantes universitários de graduação ou pós-graduação, de qualquer gênero ou idade. 

A coordenação internacional da pesquisa é feita por Vania Ceccato, professora do KTH Royal Institute of Technology, Suécia, e Anastasia Loukaitou-Sideris, da UCLA, nos Estados Unidos. Em São Paulo, a coordenação é de Paula Freire Santoro, Letícia Lemos e Marina Harkot, pesquisadoras do LabCidade FAUUSP.

 

A geografia dos acidentes fatais com bicicleta em São Paulo

bike_1

Foto: Ralph Hockens. Alguns direitos reservados.

Por Isis Bernardo Ramos*

Entre os dias 18 e 25 de setembro, São Paulo realiza a Semana da Mobilidade, que tem por objetivo propor reflexões sobre as formas de se locomover na cidade. Em um contexto de implementação de políticas que têm gerado intensas discussões na mídia – como a redução de velocidade das vias, implementação de faixas exclusivas de ônibus, inauguração de ciclovias, fechamento da Paulista para carros aos domingos, entre outras –, essa é mais uma oportunidade para pensarmos os desafios da mobilidade na nossa cidade.

Nesse momento em que a cidade busca incentivar o uso da bicicleta, um tema que merece bastante atenção é o dos acidentes de trânsito envolvendo esse modal. Relatório anual da CET sobre acidentes fatais informa que, nos últimos 4 anos, quase 5 mil pessoas perderam suas vidas em acidentes, entre elas, os ciclistas, considerados um dos mais vulneráveis usuários do trânsito. Analisando os dados de mortes no trânsito em relação à quantidade de viagens realizadas, temos no período 27 acidentes fatais com ciclistas para cada 100 mil viagens, número inferior apenas ao de acidentes fatais com motociclistas, que chega a 39.

A questão dos acidentes com bicicletas está intimamente relacionada a alguns fatores que facilitam sua ocorrência, tanto do ponto de vista do ciclista, que muitas vezes não tem acesso a informações de segurança em geral, quanto dos usuários dos diferentes tipos de transporte: carros, ônibus, motos e caminhões, que também não sabem lidar da forma mais segura com a presença do ciclista. Além disso, ainda existem outros indícios de risco ligados às próprias características das vias – esburacadas, com pouca iluminação, sinalização precária etc – e até mesmo à falta de acesso para bicicletas em determinadas vias, como pontes e viadutos.

No período de 2011 a 2014, a principal causa de morte de ciclistas no trânsito, segundo o relatório da CET, foram as colisões, batida de dois veículos em movimento.

acidentes fatais com bici

Fonte: Relatório Acidentes de Trânsito Fatais – CET anos de 2011 a 2014

Foi exatamente o que aconteceu com a modelo Mariana Livinalli Rodrigues, que faleceu no início do mês quando pedalava na ciclovia da Avenida Faria Lima e foi atingida por um ônibus, conforme noticiado pela imprensa. Mas, afinal, onde se concentram tais fatalidades? A julgar pelo noticiário, a provável conclusão seria a de que a maioria desses acidentes ocorre no centro expandido, principalmente nas proximidades da Av. Paulista. Veremos que não é bem assim… No momento em que as atenções são canalizadas para a área mais central da cidade, as regiões de maior vulnerabilidade ficam por vezes esquecidas.

Continuar lendo