LabCidade FAUUSP convoca bolsista para atuar com georreferenciamento e dados

O Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade (LabCidade), vinculado à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, está selecionando bolsista de graduação para atuar com georreferenciamento e dados. Podem concorrer candidatos matriculados em qualquer curso de formação superior da USP, desde que estejam aptos a atender às atividades previstas no projeto de pesquisa.

A vaga está vinculada ao Programa Unificado de Bolsas de Estudo para Formação de Estudantes de Graduação (PUB-USP) (confira aqui o edital completo) e terá duração de doze meses, com início no dia 1º de setembro de 2018. As inscrições devem ser realizadas entre os dias 1 e 15 de agosto.

O LabCidade FAUUSP, coordenado pelas professoras Raquel Rolnik e Paula Santoro, realiza pesquisas dedicadas ao direito à cidade na política urbana e desenvolve projetos de extensão com o objetivo de disseminar o conhecimento produzido pela equipe. O bolsista selecionado terá carga horária de trabalho de 10 horas semanais e participará das seguintes atividades em desenvolvimento no laboratório, por meio do projeto Periferias contemporâneas: leituras territoriais:

  • Levantamento e sistematização de bibliografia produzida no campo do planejamento urbano, geografia e sociologia urbana sobre território popular, desigualdade socioterritorial e marcadores de desigualdades;
  • Manipulação de bases de dados secundários, tais como pesquisa Origem Destino do Metrô de São Paulo e Censo do IBGE;
  • Elaboração de planilhas e tabelas;
  • Georreferenciamento de dados;
  • Produção de mapas e infográficos;
  • Elaboração de relatório final das atividades.

Materiais e métodos:

  • softwares de georreferenciamento de forma a compor uma base de dados própria da pesquisa a partir de informações obtidas em campo e relacioná-las a dados secundários levantados;
  • básico de programação em python para auxiliar no georreferenciamento e raspagem de dados;
  • softwares de cruzamento de dados (PSPP) para manipulação de tabelas;
  • tabulação e análise estatística de informações levantadas via questionários.

Confira aqui o projeto completo, em que são detalhadas as atividades do bolsista.

Abaixo, entenda de forma resumida o processo de inscrição e os requisitos que os candidatos precisam cumprir.

ETAPAS DA SELEÇÃO

01 a 15/08/2018: Inscrição online dos estudantes no projeto homologado.

15/08/2018: Divulgação da pontuação do perfil socioeconômico no Sistema JUNO (https://uspdigital.usp.br/juno).

16/08 a 31/08/2018: Seleção dos estudantes inscritos no projeto pelos docentes.

01/09/2018: Início da vigência do projeto e da bolsa.

PROCESSO DE INSCRIÇÃO

Os estudantes interessados em participar do PUB-USP deverão, primeiro, se inscrever no Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), junto à Superintendência de Assistência Social (SAS-USP), realizando todos os procedimentos necessários, inclusive entrega de documentos que sejam solicitados e, desse modo, obter, do PAPFE, a pontuação socioeconômica.

Após essa etapa, os estudantes devem, obrigatoriamente, acessar o Sistema Corporativo JupiterWeb (https://uspdigital.usp.br/jupiterweb) e escolher até 2 (dois) projetos homologados pela Pró-Reitoria de Graduação.

ALGUNS REQUISITOS E COMPROMISSOS DO BOLSISTA

  • Estar regularmente matriculado e cursando um dos cursos de graduação da USP.

  • Apresentar bom desempenho acadêmico.

  • Não ter vínculo empregatício e dedicar-se integralmente às atividades acadêmicas.

  • Não acumular o recebimento de bolsas, exceto apoios e auxílios da SAS-USP, no período de vigência.

PROCESSO DE SELEÇÃO

O processo de seleção do estudante é de responsabilidade do professor-orientador, a quem caberá avaliar o perfil acadêmico do candidato, sua aptidão e disponibilidade para desenvolver o projeto, bem como priorizar entre os inscritos aqueles com maiores dificuldades, por razões socioeconômicas, de permanência na Universidade de São Paulo, segundo a classificação da SASUSP por meio do PAPFE. Se os professores-orientadores julgarem pertinente, poderão realizar entrevistas com os candidatos inscritos.

CONCESSÃO DAS BOLSAS

As bolsas terão vigência no período de 01 de setembro de 2018 a 31 de agosto de 2019, com o valor de R$ 400,00 (quatrocentos reais), sobre o qual não haverá encargos sociais. O pagamento da bolsa não configura vínculo empregatício de qualquer natureza com o estudante, nos termos do art. 82 da Lei Federal no 9394 de 20/12/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional). O estudante não poderá acumular outra bolsa ou estágio da USP, exceção feita a apoios e auxílios da SAS-USP, no período de vigência da bolsa.

OBSERVAÇÕES

Serão consideradas apenas as inscrições realizadas cumprindo todas as exigências e ritos do edital.

Livro analisa as PPPs urbanas e seu impacto sobre as cidades brasileiras

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Capa do livro “Cidade Estado Capital”, sobre os processos de reestruturação urbana e as resistências nas cidades brasileiras. (FAUUSP/Divulgação)

É com prazer que anunciamos o lançamento de Cidade Estado Capital: reestruturação urbana e resistências em Belo Horizonte, Fortaleza e São Paulo, livro que mostra como a associação cada vez maior entre Estado e setor privado tem provocado transformações no espaço urbano e em suas formas de governo, com enfraquecimento dos espaços democráticos de decisão. Nos últimos anos, diversas cidades vêm passando por processos intensos de reestruturação, envolvendo projetos de renovação urbana implementados através de Parcerias Público-Privadas (PPPs), que implicam também na instauração de novas formas de governança e regulação do território.

Estamos diante da transposição de princípios e técnicas da gestão empresarial para um modelo de política urbana que ganha força a partir da introdução e modificação de normativas e instrumentos que possibilitam, de um lado, grande autonomia de atores privados nas definições e execução desses projetos e, do outro, grande penetração do capital financeiro além das esferas democráticas de participação popular e aprofundamento das desigualdades socioterritoriais.

O objetivo, então, foi analisar e monitorar PPPs voltadas ao desenvolvimento urbano nas cidades de São Paulo, Belo Horizonte e Fortaleza, e seus impactos sobre os processos e territórios que pretendem reestruturar. As formas de resistência a esses processos presentes nessas cidades também foram estudadas.

A publicação apresenta os resultados da pesquisa “Financiamento do desenvolvimento urbano, planejamento, inclusão socioterritorial e justiça social nas cidades brasileiras”, realizada entre 2016 e 2017. O projeto foi desenvolvido numa parceria entre LabCidade (FAUUSP), indisciplinar (EA-UFMG), PRAXIS (EA-UFMG) e LEHAB (UFC), com apoio da Fundação Ford.

O livro está disponível para download aqui. Esperamos que aproveitem a leitura!

Pesquisa levanta condições de segurança no transporte de estudantes universitários

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Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O LabCidade, laboratório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAUUSP), está participando da pesquisa Levantamento internacional sobre ser vítima de crimes, abusos ou assédio em viagens na cidade e a sensação de segurança entre estudantes universitárias(os): foco na segurança das mulheres na mobilidade urbana.

O levantamento, que está sendo realizado com estudantes universitários de 13 países, em seis continentes diferentes (Europa, América do Norte, América Latina, Ásia, África e Austrália), deverá revelar as especificidades da segurança na mobilidade de estudantes em cada um dos espaços analisados, inclusive com um recorte de gênero, e os principais desafios a serem enfrentados.

A pesquisa consiste na aplicação de um questionário com 50 questões sobre a segurança, a serem respondidas por estudantes universitários de graduação ou pós-graduação, de qualquer gênero ou idade. 

A coordenação internacional da pesquisa é feita por Vania Ceccato, professora do KTH Royal Institute of Technology, Suécia, e Anastasia Loukaitou-Sideris, da UCLA, nos Estados Unidos. Em São Paulo, a coordenação é de Paula Freire Santoro, Letícia Lemos e Marina Harkot, pesquisadoras do LabCidade FAUUSP.

 

Nova rede de ônibus: quais os impactos no seu bairro?

Por Raquel Rolnik* e Pedro Mendonça**

Proposta Linhas de ônibus

 

No último dia 21 de dezembro, a Prefeitura de São Paulo lançou para consulta pública a
minuta do edital de concessão do transporte coletivo municipal. A proposta, entre outras
questões, prevê uma nova divisão das linhas de ônibus da cidade, em três grupos –
estrutural, de articulação regional e local. As linhas serão distribuídas em 29 contratos com empresas diferentes.

O rearranjo será feito a partir da troncalização do sistema, ou seja, a reorganização do
trajeto das linhas, de modo que algumas sejam destinadas ao fluxo das principais avenidas (rede estrutural) e outras tenham a função de aproximar a população destes principais eixos de transporte (redes de articulação regional e local). Com isso, aumenta a necessidade de integração entre as linhas. Embora este modelo pareça lógico, a troncalização, na forma como está sendo proposta, não implica necessariamente melhoria no serviço prestado.

Isso porque essa nova rede prevê uma redução no número de linhas nos principais
corredores da cidade. A justificativa para esse corte é a tentativa de diminuir o número de ônibus nestes corredores, evitando a sobreposição de linhas e a ociosidade e, com isso, aumentando a fluidez dos veículos e, portanto, a oferta de lugares para os usuários.

Mapa 1: variação de linhas diurnas: Rede existente x Rede proposta / LabCidade

 

Mapa 2: variação da oferta de lugares por minuto no pico da manhã: Rede existente x Rede proposta /  LabCidade

Com esses cortes, as baldeações entre ônibus devem aumentar para quem faz grandes
deslocamentos na cidade. Mas, considerando que existem poucos corredores de ônibus, e
que eles estão distribuídos de modo desigual entre as regiões da cidade, nada garante que a qualidade do serviço melhorará. Para suportar o alto fluxo de ônibus na rede estrutural, é necessário investir em novos corredores exclusivos e em faixas de ultrapassagem que evitam que se formem grandes filas de veículos nas paradas. Também é importante melhorar as próprias paradas, aumentando sua capacidade e disponibilizando informações detalhadas sobre o funcionamento da rede.

Outro problema a ser enfrentado na troncalização é a alta lotação dos ônibus. Quando as
linhas ligam os bairros a áreas centrais, ainda que o sistema seja pouco eficiente, o
passageiro sabe que conseguirá entrar no veículo. Mas quando as linhas são seccionadas,
o passageiro pode ter problemas ao tentar embarcar em linhas estruturais, já que vai
competir por espaço com usuários de outras linhas fazendo a baldeação no mesmo ponto. Nesses casos, a troncalização pode se tornar um pesadelo.

Mais uma vez, não é possível separar o debate sobre a diminuição da sobreposição de
linhas da discussão sobre a ampliação e qualificação do sistema, ainda mais quando se
trata de algo que afeta o cotidiano de milhões de usuários.

No nível das redes local e de articulação regional, é importante reconhecer a importância da contribuição de quem mora ou trabalha nos bairros para redefinir o desenho dessas redes. O transporte pode cumprir um papel importante para a integração dos bairros, fortalecendo atividades locais, centralidades comerciais, espaços públicos e lugares de encontro. Para isso, é necessário que a concessão do serviço abra espaços de discussão localizados nos bairros.

Além do debate urbanístico, há um conjunto de outras discussões relacionadas ao modelo da concessão deste serviço, como as formas de remuneração, a avaliação da qualidade, entre outras. Mas estes temas serão abordados nos próximos posts.

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* Raquel Rolnik é urbanista, professora de Planejamento Urbano da FAU USP e coordenadora do LabCidade. Livre-docente pela FAU USP e doutora pela New York University, foi coordenadora de urbanismo do Instituto Pólis, diretora de Planejamento Urbano da cidade de São Paulo, secretária de Programas Urbanos do Ministério das Cidades e relatora especial da ONU para o Direito à Moradia Adequada. É autora dos livros “O que é a Cidade”, “A Cidade e a Lei”, “Folha Explica São Paulo” e “Guerra dos Lugares”. Lattes

** Pedro Mendonça é estudante do curso de graduação em Arquitetura e Urbanismo da FAU USP. Pesquisa parcerias público-privadas (PPPs) utilizadas como instrumento de implementação de projetos urbanos, especialmente as PPPs Habitacionais do Estado de São Paulo. Integra a equipe do ObservaSP desde 2015. Lattes

Bolsa de Pesquisa: Chamada aos estudantes de pós-graduação em economia

O Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade (LabCidade), vinculado à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, desenvolve pesquisa na área de política urbana, direito à cidade e à moradia, com equipes multidisciplinares de pesquisadores. Um dos projetos em curso no laboratório, “Financiamento do desenvolvimento urbano, planejamento, inclusão socioterritorial e justiça social nas cidades brasileiras”, coordenado pelas profas. Paula Santoro e Raquel Rolnik, chama estudantes de pós-graduação strito-sensu ─ mestrandos ou doutorandos na área de ECONOMIA ─, interessados em participar neste projeto de pesquisa.

O projeto tem como objetivo analisar o impacto das novas formas de financiamento do desenvolvimento urbano, em especial as PPPs, sobre a produção e gestão de cidades brasileiras, especialmente no que se refere a seu impacto nos processos de inclusão/exclusão socioterritorial, de modo a fortalecer os atores capazes de incidir na direção da promoção da justiça social e democratização de processos decisórios neles implicados. É desenvolvido em São Paulo e também em Belo Horizonte, em parceria com os grupos Indisciplinar e Praxis, ambos da UFMG; no Rio de Janeiro, por pesquisadores do IPPUR/UFRJ; e em Fortaleza, pelo LeHab/UFC.

Em São Paulo, é conhecido publicamente por seu blog, o ObservaSP (www.observasp.wordpress.com). Buscam-se candidato/a/s que tenham capacidade de desenvolver estudos e análises no campo da economia urbana e economia política, especialmente para desenvolver pesquisas:

  •  Sobre como se dá a entrada de capitais internacionais globais no complexo imobiliáriofinanceiro brasileiro, através de estudos sobre fundos de investimento em participações (FIPs), fundos de investimento imobiliários (FIIs), Sociedades de Propósito Específico, equity funds entre outros instrumentos financeiros envolvidos em operações imobiliárias;
  •  Sobre modelos econômico-financeiros que estruturam parcerias público-privadas para projetos de transformação urbana;
  •  Sobre a organização econômico-financeira de empresas públicas e semi-públicas e o papel da terra urbana pública como ativos destas empresas .

Os estudos realizados se dão, prioritariamente, sobre o território da Região Metropolitana de São Paulo.

Espera-se que os candidatos tenham familiaridade com a literatura e com a prática sobre estes temas, e é altamente desejável uma trajetória que incorpore a compreensão crítica dos processos urbanos contemporâneos.

A jornada de trabalho é de 20 horas presenciais semanais, no LabCidade, localizado no prédio da FAUUSP, campus Butantã, Cidade Universitária, São Paulo.

Os interessados receberão bolsa de estudos de Mestrado ou Doutorado e, caso já possuam bolsa CNPQ/Capes ou FAPESP nestas categorias, receberão complemento de bolsa de estudos e não poderão ter outra atividade remunerada, com exceção de atividades didáticas até 4 horas aula semanais.

Solicitamos que os interessados enviem, até dia 05/04/2017 para o e-mail labcidadefau@gmail.com, com o título da mensagem “Seleção pesquisador economia urbana 2017”:

1. Currículo (especificando domínio em idiomas estrangeiros);

2. Dois exemplos de sua produção (pode ser produção acadêmica, depreferência artigos científicos e/ou trabalho final de graduação; ou dissertação ou também produção técnica ou de extensão).

O candidato passará por uma pré-seleção e os pré-selecionado/a/s serão convocado/a/s para uma entrevista no dia 7 ou 11 de abril. Estima-se o início dos trabalhos ainda em abril.

Pesquisa mapeia Valores de Terreno em São Paulo

Este texto refere-se à pesquisa de iniciação científica desenvolvida por Júlia Borrelli, com bolsa Pibic/CNPq, sob orientação da professora Paula Santoro, no LabCidade/FAUUSP, junto ao observaSP.

Por Júlia Borrelli* e Paula Santoro**

Ao menos em um aspecto o tema da terra urbana não envelheceu (não é, Prof. Villaça?). O fato de que terra é localização – não existe um só terreno igual ao outro – e de que a localização produzida está associada a um preço da terra, a um determinado valor. Muitas pesquisas sobre o território utilizam os preços da terra como base para suas análises, pois ele ajuda a explicar as dinâmicas das cidades, como segregação, desigualdade socioterritorial, gentrificação e, inclusive, também, a própria dinâmica do mercado imobiliário, entre várias outras.

A pesquisa de iniciação científica “O desafio da gestão das Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis) de áreas vazias ou subutilizadas em São Paulo” também se deparou com o problema dos preços. A pergunta que frequentemente aparece quando se fala de Zeis em São Paulo é: elas ajudam a baixar o preço da terra?

Inicialmente, reconhecemos que há poucas pesquisas científicas brasileiras com boas bases que conseguiram avaliar o quanto a regulação de uso e ocupação do solo incide sobre a formação dos preços da terra. Isolar esta variável das demais que formam os preços (oferta e demanda, diferenciais etc.) ainda é um desafio com que muitos pesquisadores se deparam.

Além de nos dedicar a estudar a produção de autores que tratam do tema das Zeis, tivemos um proveitoso contato com o pesquisador José Marinho Nery Jr., autor da tese Zoneamento, um século de política para poucos: o zoneamento paulistano 1886-1986, que nos provocou a mapear o Cadastro de Valor de Terreno, recém-disponibilizado pela Prefeitura de São Paulo no seu Plano Diretor Estratégico (PDE) de 2014 (Quadro 14). Ele já entendia que o mapeamento desse cadastro daria uma boa fotografia dos preços de terreno em 2014, permitindo várias análises, inclusive sobre os preços dentro e fora de Zeis.

Mas, afinal, o que é o Cadastro de Valor de Terreno? – Segundo a Prefeitura, o cadastro foi elaborado conjuntamente pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU) e Secretaria Municipal de Finanças e Desenvolvimento Econômico (SF), a partir da análise do levantamento de mais de 120 mil amostras de ofertas de imóveis à venda e/ou transacionados em toda a cidade. O objetivo dessa análise foi formar um cadastro de valores específico para cálculo da Outorga Onerosa do Direito de Construir (OODC) e da Transferência de Potencial Construtivo (TPC), instrumentos disponibilizados pelo PDE de 2014. Assim, criou-se uma tabela-referência no PDE que busca aproximar o valor dos imóveis à realidade de mercado, evitando grandes distorções em relação à dinâmica imobiliária nas diferentes regiões da cidade, e que pode ser atualizada periodicamente pela SMDU. Os recursos obtidos, como o Plano prevê, vão para o Fundurb (Fundo de Desenvolvimento Urbano) e devem retornar em melhorias para toda a cidade.

Segundo depoimentos de técnicos da Prefeitura, os valores que constam da tabela do Cadastro de Valor de Terreno correspondem a cerca de 80% do valor de mercado, portanto, trata-se de uma boa aproximação para se observar o preço da terra, ainda que na forma de um retrato, porque não há uma série histórica. Antes do Plano Diretor de 2014, esse cadastro não existia. Os valores de cobrança de Outorga eram calculados com base no valor de cobrança de IPTU, ou seja, do valor venal do imóvel, geralmente pouco atualizado e muito mais baixo que os preços praticados no mercado imobiliário.

Resultado: georreferenciamento do Cadastro disponibilizado pela FAUUSP – Com o apoio da Seção Técnica de Geoinformação e Produção de Bases Digitais (CESAD) da FAUUSP, realizamos o georreferenciamento destes valores, construindo uma base de informação em arquivos em formato aberto, disponibilizados no site do CESAD (click aqui para baixar). Foram mapeados os valores por face de quadra, em R$/m2. Para o mapeamento, foi necessário cruzar dois mapas (um que identifica os logradouros, outro que identifica as quadras fiscais) da base georreferenciada da Prefeitura – o Geolog –, criando um terceiro mapa com pontos sobre as faces de quadra. A Figura 1 abaixo ilustra o procedimento elaborado no software livre QGIS 2.8.1.

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Figura 1. Ilustração das etapas de trabalho para a criação dos pontos com CODLOG e SQ. Bases cartográficas: GEOLOG/Quadras Fiscais, GEOLOG/Segmentos e Base de pontos. Fonte: Elaboração própria.

A esse terceiro mapa, finalmente, foram agregadas as informações do Cadastro de Valor do Terreno, indicando, finalmente, os valores em R$/m² por face de quadra. Veja na Figura 2 a seguir.

figura 2 post cadastro valor terreno

Figura 2. Pontos por face de quadra com o Cadastro de Valor de Terreno para Fins de Outorga Onerosa. Dados: Quadro 14, LM. 16.050/2014. Base cartográfica: GEOLOG/Quadras fiscais. Fonte: elaboração própria.

Uma amostra do resultado desse georreferenciamento pode ser vista no mapa abaixo, que representa um retrato no tempo, referente a 2014, de um percentual dos valores negociados pelo mercado.

Mapa interativo contendo os valores em R$/m² por face de quadra do Cadastro de Valor de Terreno para Fins de Outorga Onerosa.

Com a disseminação desses resultados, esperamos que a pesquisa realizada venha a colaborar com o trabalho de outros pesquisadores, que poderão se utilizar dessas informações em novos trabalhos. Esperamos também tornar as informações sobre a cidade produzidas nesta faculdade acessíveis para todos os cidadãos

E, com o mapa em mãos, voltamos à questão: será que é possível ver diferença entre os preços da terra dentro e imediatamente fora das Zeis em São Paulo? Os resultados preliminares serão debatidos em um próximo post.

*Júlia Borrelli é estudante de graduação da FAUUSP, foi bolsista de iniciação científica PIBIC/CNPq entre 2014/2015, integrou a equipe do observaSP e outros projetos do LabCidade.

**Paula Santoro é arquiteta e urbanista, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e uma das coordenadoras do observaSP. É também representante da sociedade civil no Grupo de Gestão da OUCAB.