David Harvey vem ao Brasil para lançamento de novo livro

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*Texto da Boitempo Editorial

No bicentenário de nascimento de Karl Marx, o geógrafo britânico David Harvey vem ao Brasil para o lançamento de A loucura da razão econômica: Marx e o capital no século XXI, obra que propõe atualizar o pensamento de Marx à luz das novas transformações da globalização capitalista contemporânea. Confira abaixo a programação de atividades com o autor, que conta com a promoção da revista CartaCapital:

São Paulo

20/08 | As cidades e a loucura da razão econômica
Segunda-feira, 20 de agosto, a partir das 17h30
FAU-USP
Universidade de São Paulo – R. do Lago, 876
Butantã, São Paulo – SP, 03178-200
Realização: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e Boitempo
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24/08 | O desenvolvimento urbano e as crises do capitalismo 
Sexta-feira, 24 de agosto, a partir das 10h
Centro de pesquisa e formação do Sesc-SP
Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – 4º andar
Bela Vista, São Paulo
Inscrições e mais informações

Fortaleza

21/08 | A cidade do capital e as loucuras da razão econômica
Terça-feira, 21 de agosto, a partir das 17h
Cineteatro São Luiz
Rua Major Facundo, 500 
Centro, Fortaleza
Realização: Boitempo e LEHAB
Apoio: IBDU, CAU CE, Nigeria, Instituto Latino Americano de Estudos sobre Direito, Política e Democracia – ILAEDPD, GLOBAU
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São Luís

21/08 | A crise da urbanização planetária
Quarta-feira, 22 de agosto, a partir das 19h
UFMA – Auditório do Centro Pedagógico Paulo Freire
Av. dos Portugueses, 1966 – Vila Bacanga, São Luís, MA
Realização: Boitempo e Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da UFMA
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Fim da disputa: acordo garante que terreno do Parque Augusta será público

Após anos de disputas e negociações, terreno na rua Augusta finalmente será parque (Foto: dfactory/Flickr)

Texto publicado originalmente por Raquel Rolnik e Augusto Aneas, no UOL.

Final feliz de uma das disputas em torno da apropriação do espaço urbano em São Paulo: o terreno que abrigará o Parque Augusta finalmente se torna um bem público e comum. Depois de décadas de impasse, a função social-ambiental-cultural do último bosque central da cidade prevaleceu sobre o direito das empresas proprietárias do terreno de explorá-lo construindo torres.

O acordo hoje firmado entre Ministério Público, a Prefeitura e as construtoras Cyrela e Setin para tornar o Parque Augusta um bem público oficializa uma solução que há anos vem sendo apontada por urbanistas e ativistas como viável, justa e digna: as empresas doam o terreno para a Prefeitura em troca da transferência do potencial construtivo da área, considerando o atual zoneamento do local, hoje restrito por se tratar de uma Zona Especial de Proteção Ambiental (ZEPAM).

Este instrumento urbanístico previsto no Plano Diretor da cidade – de Transferência do Potencial Construtivo – confere aos proprietários de áreas destinadas à preservação ambiental ou do patrimônio histórico cultural o direito de utilizar ou vender o potencial construtivo ali não utilizado em outros terrenos da cidade – aonde, de acordo com o Plano, seja possível aumentar a área construída.

Além de receber da prefeitura um Certificado de Transferência de aproximadamente 3.360m² (correspondente a 10% da área de 24.000m², acrescido do fator de incentivo 1,4, conforme a regra de transferência aplicada em uma ZEPAM), as empresas também assumem o compromisso de pagamento de R$ 10 milhões, sendo R$ 6 milhões em obras para implantação do parque e R$ 4 milhões em dinheiro, que serão destinados para um fundo para a manutenção do parque, reforma de escolas municipais de educação infantil e implantação de um corredor verde conectando o Parque Augusta à vizinha Praça Roosevelt.

Esta contrapartida é fruto do acordo em torno das multas que as empresas foram obrigadas a pagar decorrentes dos processo judiciais que sofreram por terem fechado ilegalmente a área.

Leia o texto completo aqui.

Falta de informações impede monitoramento adequado dos PIUs

Carol Heldt*

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Mapa de cheios e vazios do Campo de Marte, uma das áreas para as quais se preveem intervenções (Crédito: Depave/Prefeitura de S. Paulo)

A Prefeitura da Cidade de São Paulo lançou uma plataforma em que é possível acompanhar os Projetos de Intervenção Urbana (PIUs) em andamento. Apesar do esforço de tentar centralizar as informações sobre a tramitação dos projetos e de possibilitar a visualização das propostas de forma integrada, alguns projetos carecem de informações básicas, cujos dados deveriam estar disponíveis.

É especialmente grave a ausência de informações em relação aos PIUs conduzidos pela Secretaria Municipal de Desestatização e Parcerias que preveem a Manifestação de Interesse Privado para a realização dos projetos — sem que fique claro, publicamente, qual é esse interesse. Vamos então tratar especificamente desses casos.

A disponibilização dos dados é fundamental não apenas para cumprir com as exigências em relação à transparência dos dados públicos, particularmente com relação a projetos urbanos de interesse público na cidade, mas por ser uma condição necessária para viabilizar as consultas públicas previstas em cada PIU. Segundo o decreto que o regulamenta, o PIU é um procedimento que “tem por finalidade reunir e articular os estudos técnicos necessários a promover o ordenamento e a reestruturação urbana”. Sendo essa a natureza do procedimento, é absolutamente necessário frisar a importância de estarem plenamente publicizados os dados e informações que fundamentam cada PIU.

O rito para aprovação dos PIUs considera que os estudos devem apresentar o programa de interesse público — a ser posteriormente levado ao debae público em processo participativo. Uma vez validado e consolidado o programa, os estudos devem então detalhar as modelagens econômico-financeiras, jurídicas e de gestão que demonstrem a viabilidade do projeto. Mais uma vez, há submissão ao debate público e, caso aprovado, o projeto segue para a fase de implementação por meio de decreto municipal ou projeto de lei.

Ocorre que há também a possibilidade de o PIU ser desenvolvido mediante chamamento público através da figura da Manifestação de Interesse Privado (MIP). E, nesses casos, as propostas provocadas por MIP deveriam ser desenvolvidas sob responsabilidade da empresa São Paulo Urbanismo seguindo igual rito, com as mesmas fases e elementos apresentados às consultas públicas descritos acima (art. 8º do decreto).

Esses são os casos mais críticos que deveriam ser monitorados, porque envolvem diretamente os agentes de interesse privado no desenho da proposta de interesse público. Todas as propostas que chegam através das MIPs deveriam ao menos serem disponibilizadas no SEI, apresentadas em um campo apropriado da plataforma de monitoramento dos PIUs, com a integridade dos elementos apresentados no seu processo administrativo, uma vez que o que está em questão no caso dos PIUs, acima de tudo, é o interesse público do projeto urbano.

Ainda mais grave: os processos levados a cabo por meio de MIP, especialmente àqueles que tratam de áreas públicas ou áreas mistas (com possibilidade de desapropriação de terras públicas), estão ocorrendo em processos paralelos, com um rito diferente do posto para os demais PIUs.

Veja o exemplo do PIU Campo de Marte:

A partir de um processo de doação do projeto urbano pela Benedito Abbud Paisagismo, foi estabelecido um edital de chamamento público para interessados apresentarem “subsídios preliminares à concepção, estruturação e implementação do projeto do Parque Campo de Marte e Museu Aeroespacial a ser concedido à iniciativa privada”, por meio de um Procedimento Preliminar de Manifestação de Interesse (PPMI).

A partir das diretrizes sobre modelo jurídico e de gestão, forma de exploração das atividades, projeto, programa e plano de massas previamente definidas no edital, os conteúdos foram desenvolvidos por dois consórcios e já foram avaliados em nota técnica pela gestão municipal, que deve prosseguir no desenvolvimento do procedimento.

Nem o projeto inicial nem aqueles apresentados pelos proponentes, quanto menos os conteúdos do edital elaborados pela prefeitura, foram matérias de consulta pública referente ao programa de interesse público, à modelagem econômico-financeira ou à forma de gestão propostas ao PIU Campo de Marte.  

O exemplo dos PIUs dos 24 Terminais Municipais de Ônibus:

Este caso é ainda mais discrepante. Por meio de um Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), o poder público apresentou um edital de chamamento público requerendo aos interessados privados estudos de modelagem operacional, econômico-financeira, jurídica, urbanística e de engenharia e arquitetura, demandando inclusive a definição dos elementos do programa de interesse público de cada um dos 24 PIUs passíveis de concessão.

No edital, o poder público apresenta apenas o perímetro da área de abrangência relativo a cada terminal a ser concedido, com referência sócio-urbanística sobre a população habitante. Logo depois, apresenta os ativos presentes na região para os concessionários interessados: as terras vacantes ou “passíveis de transformação” na área, com identificação detalhada. Conclui-se que todos os elementos que comporão as propostas dos PIUs dos 24 Terminais Municipais são previstos para serem propostos pela iniciativa privada interessada no seu desenvolvimento.

Os três PIUs que funcionaram como projetos-piloto da proposta, elaborados pelo poder público, já tiveram suas duas etapas de consulta pública realizadas. Enquanto no caso da MIP dos PIUs dos 24 terminais, nem as premissas referentes a sua concessão, nem os objetivos do programa de interesse público desses projetos urbanos, tampouco o resultado das propostas desenvolvidas pelos quatro consórcios que responderam à PMI, foram objeto de publicização e consulta pública. Não obstante, esses PIUs já estão em fase de elaboração das modelagens econômico-financeira, jurídica e de gestão.

Além desses, há também o caso do PIU Ceagesp, que pretende desenvolver um Centro Internacional de Tecnologia e Informação (CITI) mediante MIP, apresentada pela Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo e pela Secretaria Municipal de Desestatização e Parcerias.

Nenhum dos três casos — justamente os que preveem Manifestações de Interesse Privado de projetos urbanos em terras públicas ou mistas — possuem a tramitação detalhada pela Prefeitura. Esses PIUs estão sendo conduzidos pela Secretaria Municipal de Desestatização e Parcerias sem considerar não somente sua consulta pública, mas tampouco a devida avaliação pela administração pública sobre a correspondência dessas propostas com os objetivos urbanísticos consolidados no PDE, que seria a base primeira para se avaliar o interesse público do projeto urbano.

Na imagem abaixo, é possível ter uma ideia de como estão caminhando os 38 PIUs em andamento (sem considerar o PIU Arco Pinheiros, em início de elaboração). Os 24 PIUs dos Terminais Municipais de Ônibus, o PIU do Ceagesp e o do Campo de Marte, apesar de seu avançado processo de desenvolvimento e de sua prioridade na agenda de desestatização do governo, são exatamente aqueles que ainda não passaram por qualquer fase de consulta pública e que não constam na plataforma de monitoramento dos PIUs.

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(Crédito do esquema: Carol Heldt)

 

*Carolina Heldt D’Almeida é arquiteta e urbanista, foi assessora do gabinete da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano na gestão 2013-2016, dirigiu a Assessoria de Pesquisa Aplicada e Fomento e coordenou a comissão técnica para elaboração do Plano Metropolitano de São Paulo. É professora na Universidade São Judas Tadeu, pesquisadora e consultora do Cities Alliance e doutoranda do IAU USP com a tese intitulada “Concessa Venia: Estado, Empresas e a Concessão da Produção do Espaço Urbano”, que possui nos PIUs um dos objetos de análise. Lattes.

Vote nos representantes do grupo de gestão da Operação Urbana Água Branca

Neste domingo, 5, haverá eleição para escolher os representantes do Grupo de Gestão da Operação Urbana Consorciada Água Branca, que acompanharão a operação pelo próximo biênio (2019-2020).

Eleição dos representantes populares
(Moradores, trabalhadores e movimentos sociais)
Quando? Domingo, dia 5 de agosto/18, das 9 às 17h, na Prefeitura Regional da Lapa – Rua Guaicurus, 1.000.

Como votar:

Poderão votar quem mora e quem trabalha nos bairros da Água Branca, Barra Funda, Lapa, Perdizes, Pirituba, Centro e Consolação. Confira, no mapa, se a sua residência ou local de trabalho está no perímetro considerado.

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Cada eleitor e eleitora receberá uma cédula onde poderá votar em até 6 candidatos e candidatas, sendo 3 vagas para representantes de moradores(as) e trabalhadores(as) do perímetro, 2 vagas de representantes de moradores(as) e trabalhadores(as) do perímetro expandido e uma vaga para representante de movimento de moradia com atuação na região.

A comprovação de local de moradia ou de trabalho no perímetro ou perímetro expandido se dará por meio do preenchimento de uma declaração que será entregue no dia a todas as pessoas que forem votar. Leve um documento com foto.

Conheça os candidatos do Movimento Água Branca.

Sobre o grupo de gestão:

Uma das atribuições do Grupo de Gestão é deliberar sobre o plano de prioridades para implementação do programa de intervenções públicas, respeitadas os objetivos e diretrizes da lei 15.893 de 2013 da OUCAB e do Plano Diretor Estratégico.

O Grupo de Gestão da Operação Urbana Consorciada Água Branca é formado por 9 representantes eleitos(as) da sociedade civil e seus suplentes, organizados nos segmentos Moradores(as) e Trabalhadores(as) do perímetro e perímetro expandido;
Movimentos de Moradia com atuação na região; Organizações não governamentais com atuação na região; Entidades profissionais, acadêmicas ou de pesquisa com atuação em questões urbanas e ambientais e Empresários(as) com atuação na região e por 9 representantes indicados(as) pela prefeitura, e seus suplentes.

Operação Urbana Consorciada Água Branca

Criada em 1995 e revisada em 2013, a Lei da OUC Água Branca prevê intervenções públicas que serão financiadas com os recursos de um fundo originado da venda de outorga onerosa do direito de construir (lei 11.774 de 1995) e de CEPAC – Certificado de Potencial Adicional de Construção (lei 15.893 de 2013).

LabCidade FAUUSP convoca bolsista para atuar com georreferenciamento e dados

O Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade (LabCidade), vinculado à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, está selecionando bolsista de graduação para atuar com georreferenciamento e dados. Podem concorrer candidatos matriculados em qualquer curso de formação superior da USP, desde que estejam aptos a atender às atividades previstas no projeto de pesquisa.

A vaga está vinculada ao Programa Unificado de Bolsas de Estudo para Formação de Estudantes de Graduação (PUB-USP) (confira aqui o edital completo) e terá duração de doze meses, com início no dia 1º de setembro de 2018. As inscrições devem ser realizadas entre os dias 1 e 15 de agosto.

O LabCidade FAUUSP, coordenado pelas professoras Raquel Rolnik e Paula Santoro, realiza pesquisas dedicadas ao direito à cidade na política urbana e desenvolve projetos de extensão com o objetivo de disseminar o conhecimento produzido pela equipe. O bolsista selecionado terá carga horária de trabalho de 10 horas semanais e participará das seguintes atividades em desenvolvimento no laboratório, por meio do projeto Periferias contemporâneas: leituras territoriais:

  • Levantamento e sistematização de bibliografia produzida no campo do planejamento urbano, geografia e sociologia urbana sobre território popular, desigualdade socioterritorial e marcadores de desigualdades;
  • Manipulação de bases de dados secundários, tais como pesquisa Origem Destino do Metrô de São Paulo e Censo do IBGE;
  • Elaboração de planilhas e tabelas;
  • Georreferenciamento de dados;
  • Produção de mapas e infográficos;
  • Elaboração de relatório final das atividades.

Materiais e métodos:

  • softwares de georreferenciamento de forma a compor uma base de dados própria da pesquisa a partir de informações obtidas em campo e relacioná-las a dados secundários levantados;
  • básico de programação em python para auxiliar no georreferenciamento e raspagem de dados;
  • softwares de cruzamento de dados (PSPP) para manipulação de tabelas;
  • tabulação e análise estatística de informações levantadas via questionários.

Confira aqui o projeto completo, em que são detalhadas as atividades do bolsista.

Abaixo, entenda de forma resumida o processo de inscrição e os requisitos que os candidatos precisam cumprir.

ETAPAS DA SELEÇÃO

01 a 15/08/2018: Inscrição online dos estudantes no projeto homologado.

15/08/2018: Divulgação da pontuação do perfil socioeconômico no Sistema JUNO (https://uspdigital.usp.br/juno).

16/08 a 31/08/2018: Seleção dos estudantes inscritos no projeto pelos docentes.

01/09/2018: Início da vigência do projeto e da bolsa.

PROCESSO DE INSCRIÇÃO

Os estudantes interessados em participar do PUB-USP deverão, primeiro, se inscrever no Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), junto à Superintendência de Assistência Social (SAS-USP), realizando todos os procedimentos necessários, inclusive entrega de documentos que sejam solicitados e, desse modo, obter, do PAPFE, a pontuação socioeconômica.

Após essa etapa, os estudantes devem, obrigatoriamente, acessar o Sistema Corporativo JupiterWeb (https://uspdigital.usp.br/jupiterweb) e escolher até 2 (dois) projetos homologados pela Pró-Reitoria de Graduação.

ALGUNS REQUISITOS E COMPROMISSOS DO BOLSISTA

  • Estar regularmente matriculado e cursando um dos cursos de graduação da USP.

  • Apresentar bom desempenho acadêmico.

  • Não ter vínculo empregatício e dedicar-se integralmente às atividades acadêmicas.

  • Não acumular o recebimento de bolsas, exceto apoios e auxílios da SAS-USP, no período de vigência.

PROCESSO DE SELEÇÃO

O processo de seleção do estudante é de responsabilidade do professor-orientador, a quem caberá avaliar o perfil acadêmico do candidato, sua aptidão e disponibilidade para desenvolver o projeto, bem como priorizar entre os inscritos aqueles com maiores dificuldades, por razões socioeconômicas, de permanência na Universidade de São Paulo, segundo a classificação da SASUSP por meio do PAPFE. Se os professores-orientadores julgarem pertinente, poderão realizar entrevistas com os candidatos inscritos.

CONCESSÃO DAS BOLSAS

As bolsas terão vigência no período de 01 de setembro de 2018 a 31 de agosto de 2019, com o valor de R$ 400,00 (quatrocentos reais), sobre o qual não haverá encargos sociais. O pagamento da bolsa não configura vínculo empregatício de qualquer natureza com o estudante, nos termos do art. 82 da Lei Federal no 9394 de 20/12/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional). O estudante não poderá acumular outra bolsa ou estágio da USP, exceção feita a apoios e auxílios da SAS-USP, no período de vigência da bolsa.

OBSERVAÇÕES

Serão consideradas apenas as inscrições realizadas cumprindo todas as exigências e ritos do edital.

Flor de Maio: reintegração de posse na Zona Norte deixa 250 famílias sem casa

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Ocupações são removidas na comunidade Jardim Flor de Maio, na Zona Norte de São Paulo (Foto: Martim Furtado)

Por Débora Ungaretti, Larissa Lacerda e Martim Furtado*

Nos dias 24 e 25 de julho, mais de 250 famílias ficaram sem casa e sem nenhuma alternativa habitacional após reintegração de posse de três terrenos situados na comunidade conhecida como Jardim Flor de Maio, que fica no distrito do Tremembé, Zona Norte de São Paulo.  As famílias encontraram abrigo na casa de conhecidos ou familiares, ou em outras ocupações tão ou mais precárias quanto aquelas que foram demolidas, várias das quais também estão sob risco de remoção.

Foram removidas três ocupações: Brinco de Princesa, Boca de Leão e Orquídea, numa região que fica no extremo norte da capital. Elas ficavam próximas ao entroncamento da Rodovia Fernão Dias com as obras do Rodoanel, que têm impactado largamente uma região historicamente marcada pela vulnerabilidade e precariedade habitacional. Duas das ocupações estão em área demarcada como Zona Especial de Interesse Social (ZEIS).

Nos últimos três anos, o número de ocupações de moradia têm crescido nas periferias da cidade de São Paulo: só na região do Tremembé, de acordo com pesquisas da equipe na região, mais de vinte novas ocupações abrigam milhares de famílias. As remoções recentes das ocupações que ocorreram na semana passada são a expressão mais recente do aprofundamento da crise habitacional em São Paulo.

Público e privado, urbano e rural, posse e propriedade se confundem em um complexo nó fundiário do loteamento irregular Jardim Flor de Maio — ou Chácara Santo Amaro, como prefere chamar o suposto titular de todo o bairro de mais de 400 mil metros quadrados. O proprietário responde por mais de 300 ações judiciais envolvendo esta e outras áreas situadas na Zona Sul de São Paulo: dezenas de reivindicações de usucapião, centenas de execuções fiscais por não pagamento de IPTU e de taxa de lixo, duas ações civis públicas que envolvem discussões sociais e ambientais, além de estar envolvidos em duas desapropriações — da CDHU e do Metrô — que envolvem mais de 14 milhões de reais em indenizações.

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Família hasteou bandeira branca sobre casa que seria demolida em reintegração de posse no Jardim Flor de Maio (Foto: Débora Ungaretti)

As circunstâncias que levaram as famílias a participarem das ocupações recentes no Tremembé, em terrenos até então sem uso, são diversas: perda de emprego, baixos salários, despejos, aumento dos valores de aluguéis ou remoção em decorrência das obras do Rodoanel. A heterogeneidade também é uma marca dessas ocupações de moradia, seja pela forma de organização ou pelos meios que foram utilizados para acessar uma casa ou um lote no terreno ocupado.

Uma das 38 famílias da Brinco de Princesa, a primeira a ser removida na manhã do dia 24 de julho, guarda os recibos do pagamento que fez pela sua casa. Agora, a família busca um outro lugar para viver enquanto seus pertences ficam empilhados na garagem do pastor da igreja local e suas filhas dormem na casa de uma conhecida.

Já a Boca de Leão, como relata um ex-morador, nasceu a partir da organização mobilizada por membros de três igrejas evangélicas da região. Com muitas famílias perdendo o emprego e sendo despejadas por não conseguir mais arcar com os custos do aluguel, o terreno foi ocupado. Segundo contam muitas moradoras, a área estava abandonada há décadas, servindo como ponto de desova de corpos. Por cerca de dois anos, 64 famílias moraram na ocupação Boca de Leão.

Na Orquídea, a última a passar pela reintegração de posse e a maior em termos populacionais, com cerca de 150 casas, a ocupação foi organizada por uma liderança comunitária conhecida da região. Algumas famílias teriam pago pelo seus lotes, outras não. Uma moradora dessa ocupação que teve sua casa demolida na manhã do dia 25 de julho, sem ter para onde ir, doou todos os seus pertences pouco antes da reintegração começar.

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Famílias com seus pertences na rua, sem ter para onde, durante execução da reintegração de posse (Foto: Débora Ungaretti)

Se a perda da moradia, mesmo que em situações por vezes tão precárias, já é muito difícil para as famílias, a forma como as ações de reintegração de posse ocorreram tornou o cenário ainda mais perverso. Por um lado, havia imenso aparato policial, além de equipes privadas de segurança contratadas pelo proprietário. Por outro lado, apesar da presença da ambulância e de dois oficiais de justiça, não estavam presentes funcionários das Secretarias de Habitação ou de Assistência Social, tampouco havia informação sobre qualquer cadastramento das famílias pela prefeitura.

A reintegração na Boca de Leão iniciou-se por volta das 13h do dia 24. Em uma área com muitas casas de madeira e ligações clandestinas de eletricidade, quatro barracos se incendiaram. A Eletropaulo chegou apenas às 15h20 para cortar a fiação, numa demora que colocou todos os presentes em risco. Depois do primeiro foco de incêndio, o Corpo de Bombeiros também demorou 30 minutos para chegar. Sem nenhum isolamento, homens, mulheres e crianças circulavam livremente em meio às máquinas e ao fogo. Situação semelhante aconteceu na reintegração da Orquídea. Enquanto os tratores estavam fazendo as demolições, mulheres jovens e adultas caminhavam sobre os escombros das casas e barracos procurando pedaços de metal.

Durante os dois dias de reintegração, as moradoras reiteraram haver irregularidades no processo judicial e no cumprimento da reintegração de posse. Um dos principais pontos de tensão entre as famílias, de um lado, e os dois oficiais de justiça e o major que comandava a reintegração, de outro, era relativo à área que deveria ser reintegrada e, consequentemente, às casas e aos barracos que deveriam ser demolidos. As moradoras conseguiram retardar o ritmo acelerado das máquinas ao ocupar um dos imóveis, ao acionar, a todo o momento, suas advogadas e ao negociar com os oficiais de justiça e com o major a espera de um posicionamento da juíza sobre a delimitação da área objeto da ação.

Pouco antes das 15h da tarde do dia 25, a suspensão da reintegração da totalidade das áreas foi anunciada. Restavam apenas 17 casas das mais de 250 que foram removidas naqueles dois dias.

*Débora Ungaretti é advogada e mestranda em Planejamento Urbano e Regional na FAUUSP e pesquisadora do LabCidade. 

Larissa Lacerda é socióloga, mestra em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ e doutoranda em Sociologia na FFLCH/USP. Atualmente, é pesquisadora do LabCidade.

Martim Furtado é estudante do curso de graduação em Arquitetura e Urbanismo da FAUUSP e bolsista de iniciação científica. Pesquisa processos de reestruturação urbana e produção do espaço nas periferias de São Paulo. Integra a equipe do LabCidade.

LabCidade FAUUSP convoca bolsista para desenvolver atividades de comunicação

O Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade (LabCidade), vinculado à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, está selecionando bolsista de graduação para desenvolver atividades na área de comunicação. Podem concorrer candidatos matriculados em qualquer curso de formação superior da USP, desde que estejam aptos a atender às atividades previstas no projeto de pesquisa.

A vaga está vinculada ao Programa Unificado de Bolsas de Estudo para Formação de Estudantes de Graduação (PUB-USP) (confira aqui o edital completo) e terá duração de doze meses, com início no dia 1º de setembro de 2018. As inscrições devem ser realizadas entre os dias 1 e 15 de agosto.

O LabCidade FAUUSP, coordenado pelas professoras Raquel Rolnik e Paula Santoro, realiza pesquisas dedicadas ao direito à cidade na política urbana e desenvolve projetos de extensão com o objetivo de disseminar o conhecimento produzido pela equipe. O bolsista selecionado terá carga horária de trabalho de 10 horas semanais e participará das seguintes atividades em desenvolvimento no laboratório, por meio do projeto Apoio à produção de conteúdos e difusão de pesquisas sobre direito à cidade na política urbana de São Paulo:

  • Reformulação da plataforma do LabCidade;

  • Manutenção do mailing;

  • Produção e disseminação de conteúdo junto aos pesquisadores;

  • Relacionamento via redes sociais;

  • Seleção de imagens e para a plataforma e para as redes sociais;

  • Produção de vídeos e campanhas temáticas a partir dos temas trabalhados pela equipe;

  • Organização da biblioteca de mídia e de publicações do laboratório;

  • Desenvolvimento de roteiros e produção do podcast do LabCidade.

Confira aqui o projeto completo, em que são detalhadas as atividades do bolsista.

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